Inventar a Alimentação do Futuro

ErvilhasVerdes

Entre guerras, alterações climáticas e o crescimento da população humana, para já não falar das graves consequências da agricultura intensiva, o direito básico à alimentação está tudo menos garantido. São mais de 800 milhões de pessoas (duas vezes a União Europeia) que passam fome diariamente – por razões que as ultrapassam completamente.

Nenhum indivíduo consegue resolver por si só qualquer problema desta dimensão mas todos podemos introduzir alguma mudança. A propósito do Dia Mundial da Alimentação, celebrado anualmente pelas Nações Unidas a 16 de outubro, a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católia Portuguesa convida todos os alunos do ensino secundário a refletir sobre as relações entre a alimentação e o ambiente, economia e saúde através deste concurso onde são convidados a criar e justificar uma receita que represente o caminho do futuro para a alimentação nacional.

Em 2023/24 a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) decidiu destacar para esta efeméride que por detrás da comida está... a água. Sem ela não há alimentação, não há agricultura, não há vida. Esta preocupação – de reconhecer a importância da água e contribuir para que não seja desperdiçada nem poluída – é um dos critérios centrais do concurso deste ano.

COMO FUNCIONA
O primeiro passo é definir a equipa, que é composta por um professor responsável e por 1 a 4 estudantes do ensino secundário português de qualquer área ou tipologia. Cada aluno só pode concorrer numa receita mas cada professor pode orientar o número de grupos que entender. O grupo atribui-se um nome (criativo!) e está pronto para deitar mãos à obra.

O segundo passo é conceber um prato central de uma refeição que seja também saudável (é da época? é nutricionalmente recomendável? satisfaz as necessidades físicas e emocionais? etc…), económico (é barato ou caro?) e ambientalmente sustentável (a sua produção contribui para a fertilidade do solo? fomenta a biodiversidade? ou agrava as alterações climáticas?) para além de saboroso. O papel da água, tal como referido acima, também tem de ser contemplado. Embora o concurso não distinga entre sopas, carne, peixe, leguminosas, sobremesa, etc, o conceito de prato principal aqui é usado em sentido lato: há sopas que são verdadeiros pratos completos, por exemplo. O cozinhado pode ser totalmente inovador mas também pode ser inspirado num comer tradicional. Além disso é natural ter várias componentes: se um prato for composto por arroz + couves + feijão a receita vai ter de explicar como prepara cada uma das partes e as integra no fim.

Os grupos vão ser avaliados pelo sucesso com que integram os vários critérios no seu trabalho. Mas, para estimular a inovação, além do prémio principal (Receita do Ano) foram criadas quatro subcategorias com personalidade própria. Por isso cada grupo pode também optar por submeter a sua criação à consideração de um dos seguintes critérios adicionais:
– Sabor a mar (para receitas que valorizam a alimentação de base marinha)
– Street food (quando a comida se come à mão)
– Sci-fi (alimentação para a idade do espaço)
– Quintal (a melhor refeição é a que vem da própria horta)

Depois das decisões começa o terceiro passo – o trabalho prático. Trata-se de preparar de facto a comida. Muito importante: toda a preparação tem de ser realizada pelos estudantes e esse trabalho tem de ser fotografado e filmado. Também é preciso mostrar o trabalho final nas fotos: o prato pronto e, noutra imagem, os estudantes a provarem-no. Tudo isto é levado em consideração pelo júri.

Finalmente é necessário escrever: no formulário online explica-se o que se fez e justificam-se as escolhas do ponto de vista dos critérios deste concurso (aconselha-se a que as questões do formulário sejam lidas com antecedência). Tanto o texto como as imagens e vídeos passam a pertencer à organização do concurso.

Todos os pratos a concurso estão automaticamente candidatos ao prémio Receita do Ano: para ser considerado adicionalmente numa das subcategorias é que é necessário dar essa indicação no formulário. Os trabalhos têm de ser entregues até dia 15 de novembro. A maior novidade este ano é que vai existir uma final nacional para os finalistas em cada uma das cinco seleções a concurso (Receita do Ano e quatro subcategorias). Os três grupos com os melhores pratos em cada tema – a lista com os finalistas é anunciada a 8 de janeiro – vão ser convidados a vir à Escola Superior de Biotecnologia da Católica. Será no dia 9 de fevereiro de 2024 que teremos uma sessão de apresentação dos vários pratos perante o júri que irá provar a comida, conversar com os inventores e então escolher os grandes vencedores.

O formulário para a inscrição está nesta página: https://forms.gle/xTgAbXnjmFFKbysD9

OS PRÉMIOS
O prémio Receita do Ano tem o valor de 250€ e o grupo vencedor em cada uma das subcategorias recebe 150€. Tanto na seleção inicial como na sessão final as submissões serão avaliadas por um júri de professores e investigadores das ciências da nutrição e alimentação, incluindo nutrição humana, tecnologia alimentar, análise sensorial e sustentabilidade alimentar. O júri reserva-se o direito de não selecionar nenhuma proposta em qualquer das categorias no caso de considerar que os critérios mínimos exigidos não foram atingidos. Os resultados, incluindo imagens, serão divulgados nas redes sociais e pela comunicação social. Os dados pessoais que forem recolhidos no âmbito do concurso serão tratados com respeito pela legislação de proteção de dados pessoais.

Qualquer dúvida ou dificuldade (ou até o acesso/retificação/eliminação dos dados pessoais) deve ser comunicada para o email biotecnologia@ucp.pt.

A participação neste concurso pressupõe a plena aceitação das instruções acima, incluindo de qualquer decisão do júri (da qual não cabe recurso). 

Os resultados do concurso de 2022/23 estão publicados nesta notícia.

Esta atividade é realizada no âmbito do projeto BLUE DESIGN ALLIANCE, financiado pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para 2021-2026.

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