Inventar a Alimentação do Futuro (4ª edição)

Inventar a Alimentação do Futuro

Entre guerras, alterações climáticas e o crescimento da população humana, para já não falar das graves consequências da agricultura intensiva, o direito básico à alimentação está tudo menos garantido. São quase 3 mil milhões de pessoas que não têm direito à comida de que precisam por razões que as ultrapassam completamente.

Nenhum indivíduo consegue resolver por si só qualquer problema desta dimensão mas todos podemos introduzir alguma mudança. A propósito do Dia Mundial da Alimentação, celebrado anualmente pelas Nações Unidas a 16 de outubro, a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católia Portuguesa convida todos os alunos do ensino secundário a refletir sobre as relações entre a alimentação e o ambiente, economia e saúde através deste concurso onde são convidados a criar e justificar uma receita que represente o caminho do futuro para a alimentação de todos.

O FUNCIONAMENTO
O primeiro passo é definir a equipa, que é composta por um professor responsável e por 1 a 4 estudantes do 9º ano ou do ensino secundário português de qualquer área ou tipologia (também para escolas espalhadas pelo mundo que ensinem em língua portuguesa). Cada aluno pode integrar-se em até três receitas mas cada professor pode orientar o número de grupos que entender. Também não há limite para o número de grupos por escola. Cada grupo atribui-se um nome (criativo!) e está pronto para deitar mãos à obra.

O segundo passo é conceber um prato central de uma refeição que seja também saudável (é da época? é nutricionalmente recomendável? satisfaz as necessidades físicas e emocionais? etc…), económico (é barato ou caro?) e ambientalmente sustentável (a sua produção contribui para a fertilidade do solo? fomenta a biodiversidade? ou agrava as alterações climáticas?) para além de saboroso. O papel da água também tem de ser contemplado. Embora o concurso não distinga entre sopas, carne, peixe, leguminosas, sobremesa, etc, o conceito de prato principal aqui é usado em sentido lato: há sopas que são verdadeiros pratos completos, por exemplo. O cozinhado pode ser totalmente inovador mas também pode ser inspirado num comer tradicional. Além disso é natural ter várias componentes: se o prato for composto por arroz + couves + feijão a receita vai ter de explicar como prepara cada uma das partes e as integra no fim.

Os grupos vão ser avaliados pelo sucesso com que incorporam os vários critérios no seu trabalho. Mas, para estimular a inovação, além dos prémios principais (Receita do Ano, que vão ser atribuídos em separado ao 9º ano e ao secundário) foram criadas quatro subcategorias com personalidade própria (apenas para os alunos do secundário). Estes grupos podem também optar por submeter a sua criação à consideração de um dos seguintes critérios adicionais:
– Sabor a mar (para receitas que valorizam a alimentação de base aquática)
– Street food (quando a comida se come à mão)
– Plantas silvestres (os alimentos selvagens são os mais económicos de todos)
– Leguminosas luminosas (proteínas vegetais tendem a ser mais amigas do ambiente... e apontam o caminho do equilíbrio ecológico)

Note-se que a apanha de plantas silvestres exige cuidado, conhecimento e responsabilidade. Também há plantas venenosas e é preciso saber distinguir com rigor! Algumas das plantas selvagens mais comuns na alimentação estão descritas nesta página: https://simplyflow.pt/plantas-silvestres-comestiveis/. A regra mais importante é: se não tem a certeza do que são então NÃO COLHA NEM USE plantas selvagens! Como nem sempre é a época certa para apanhar plantas silvestres é permitido comprá-las desde que sejam plantas que existem espontaneamente na natureza em Portugal. Isto inclui, por exemplo, bolotas, acelgas, agrião, beldroegas, urtigas, alfarroba, amora, castanhas, flor e bagas de sabugueiro... Nota: os cogumelos não são plantas (são fungos) por isso não se enquadram na categoria de plantas silvestres comestíveis. 

Depois das decisões começa o terceiro passo – o trabalho prático. Trata-se de preparar de facto a comida. Muito importante: toda a preparação tem de ser realizada pelos estudantes e esse trabalho tem de ser fotografado e filmado. Também é preciso mostrar o trabalho final nas fotos: o prato pronto e, noutra imagem, os estudantes a provarem-no. Tudo isto é levado em consideração pelo júri.

Finalmente é necessário escrever: no formulário online explica-se o que se fez e justificam-se as escolhas do ponto de vista dos critérios deste concurso. Aconselha-se vivamente a que as questões do formulário sejam lidas com antecedência.

Todos os pratos a concurso estão automaticamente candidatos ao prémio Receita do Ano: para ser considerado adicionalmente numa das subcategorias é que é necessário dar essa indicação no formulário. Os trabalhos têm de ser entregues até ao final do dia 1 de dezembro de 2025. Os três grupos com os melhores pratos em cada tema são anunciados a 7 de janeiro de 2026 e vão participar na final nacional que terá lugar no dia 13 de fevereiro de 2026 nas instalações da Escola Superior de Biotecnologia, no Porto. O chef Hélio Loureiro – a quem desde já agradecemos sinceramente! – disponibilizou-se para integrar novamente o júri neste dia e contribuir para escolher os grandes vencedores.

O formulário para a inscrição está nesta página: https://tinyurl.com/concurso-2026

OS PRÉMIOS
O prémio Receita do Ano tem o valor de 250€ para o ensino secundário e 100€ para o grupo vencedor do 9º ano. O grupo vencedor em cada uma das subcategorias do secundário recebe 150€. Tanto na seleção inicial como na competição final as submissões serão avaliadas por um júri de professores e especialistas das ciências da nutrição e alimentação, incluindo nutrição humana, tecnologia alimentar, análise sensorial e sustentabilidade alimentar. Os dois júris são soberanos e reservam-se o direito de não selecionar nenhuma proposta em qualquer das categorias no caso de considerarem que os critérios mínimos exigidos não foram atingidos. Também podem selecionar um número variável de grupos nas diferentes categorias e atribuir menções honrosas consoante entenderem. Cada grupo só pode ser selecionado para a final no máximo uma vez (no total das categorias). Decorre destas regras que um grupo selecionado para a final numa particular subcategoria pode acabar por vencer noutra subcategoria, ou mesmo arrecadar o prémio principal.

O ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL
A inovação alimentar é uma área com grande potencial de impacto na alimentação do futuro e nas empresas envolvidas, para já não falar da sociedade e do ambiente. No contexto empresarial a inovação alimentar determina o progresso no desenvolvimento de novos produtos e processos, na produção, na distribuição e na gestão em geral. A ESB – Escola Superior de Biotecnologia desenvolveu ao longo dos anos um foco central na inovação alimentar, tanto ao nível do ensino especializado quanto ao nível da investigação. O objetivo maior é de preparar profissionais para desenvolver atividades nos mais diversos mercados nacionais e internacionais, abarcando desde a indústria à consultoria e empreendedorismo em geral. Todas as universidades têm a responsabilidade de contribuir ativamente para os objetivos do desenvolvimento sustentável e a ESB assume o seu papel de garantir que o conhecimento científico e tecnológico qualificado na área da inovação alimentar se desenvolve permeado pela sensibilidade ambiental e respeito pelos direitos das gerações futuras.

AS NOTAS DE RODAPÉ
Os resultados, incluindo imagens, serão divulgados nas redes sociais e pela comunicação social. Os dados pessoais que forem recolhidos no âmbito do concurso serão tratados com respeito pela legislação de proteção de dados pessoais. Tanto o texto como as ideias, imagens e vídeos submetidos passam a pertencer à organização do concurso por forma a permitir a publicação futura de um livro. Qualquer dúvida ou dificuldade (ou até o acesso/retificação/eliminação dos dados pessoais) deve ser comunicada para o email biotecnologia@ucp.pt. A participação neste concurso pressupõe a plena aceitação das instruções acima, incluindo de qualquer decisão do júri (da qual não cabe recurso).

Os resultados do concurso de 2024/25 estão publicados nesta notícia.
Os resultados do concurso de 2023/24 estão publicados nesta notícia.
Os resultados do concurso de 2022/23 estão publicados nesta notícia

Esta atividade é realizada no âmbito do projeto BLUE DESIGN ALLIANCE, financiado pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para 2021-2026.

BDAlogoPRR

A iniciativa também recebe financiamento destes dois projetos:

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O LegumES recebeu financiamento do programa de investigação e inovação Horizonte Europa da União Europeia ao abrigo do Acordo de Subvenção n.º 101135512. O seu trabalho é também apoiado pelo Innovate UK através do esquema de Garantia Horizon Europe e pela Secretaria de Estado Suíça para a Educação, Investigação e Inovação (SERI), Subvenções n.° 23.00034 e 23.00645.

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O COUSIN recebeu financiamento do programa de investigação e inovação Horizonte Europa da União Europeia ao abrigo do Acordo de Subvenção n.° 101135314. O seu trabalho é também apoiado pelo Innovate UK através do esquema de Garantia Horizon Europe e pela Secretaria de Estado Suíça para a Educação, Investigação e Inovação (SERI), Subvenção n.° 22.0412.