Inventar a Alimentação do Futuro (5ª edição)

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Entre guerras, alterações climáticas e o crescimento da população humana, para já não falar das graves consequências da agricultura intensiva, o direito básico à alimentação está tudo menos garantido. São quase 3 mil milhões de pessoas que não têm direito à comida de que precisam por razões que as ultrapassam completamente.

Nenhum indivíduo consegue resolver por si só qualquer problema desta dimensão mas todos podemos introduzir alguma mudança. A propósito do Dia Mundial da Alimentação, celebrado anualmente pelas Nações Unidas a 16 de outubro, a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católia Portuguesa desafia os participantes a refletir sobre as relações entre a alimentação e o ambiente, economia e saúde através deste concurso onde são convidados a criar e justificar uma receita que represente o caminho do futuro para a alimentação de todos.

O FUNCIONAMENTO
O primeiro passo é definir a equipa, que é composta por um professor responsável e por 1 a 4 estudantes do 8º ou 9º anos ou do ensino secundário português de qualquer área ou tipologia (também de escolas espalhadas pelo mundo que ensinem em língua portuguesa). Cada aluno pode integrar-se em até três receitas mas cada professor pode orientar o número de grupos que entender. Também não há limite para o número de grupos por escola. Cada grupo atribui-se um nome (criativo!) e está pronto para deitar mãos à obra.

O segundo passo é conceber um prato central de uma refeição que seja também saudável, económica e ambientalmente sustentável, para além de inovador saboroso. Embora o concurso não distinga entre sopas, carne, peixe, leguminosas, sobremesa, etc, o conceito de prato principal aqui é usado em sentido lato: há sopas que são verdadeiros pratos completos, por exemplo. O cozinhado pode ser totalmente inovador mas também pode ser inspirado num comer tradicional. Além disso é natural ter várias componentes: se o prato for composto por arroz + couves + feijão a receita vai ter de explicar como prepara cada uma das partes e as integra no fim.

Os critérios empregues na avaliação são, concretamente, estes abaixo. Os grupos serão avaliados pelo sucesso com que os incorporam no seu trabalho. 

Critérios ambientais (pesam 30%):
Clima - As alterações climáticas são causadas sobretudo pela queima de combustíveis fósseis de modo que é preciso favorecer alternativas energéticas (fornos solares em vez de fornos a gás, por exemplo).
Biodiversidade - Há mais de 10 mil plantas comestíveis no mundo mas a alimentação humana tem muito pouca variedade: apenas 3 espécies (arroz, milho e trigo) ocupam mais de metade da nossa alimentação. No entanto quanto mais diversidade houver no nosso prato melhor é para o ambiente (e para a saúde e para o futuro).
Nível na pirâmide ecológica - Os ecossistemas mais comuns têm na sua base as plantas, que vão alimentar os herbívoros (como os coelhos). Estes por sua vez servem de refeição aos carnívoros (como as águias). As pessoas são omnívoras e podem alimentar-se de qualquer um desses níveis. Se um hectare de terreno alimentar pessoas veganas (que não consomem nenhum produto animal) é suficiente para as necessidades de mais de 20 mas se as pessoas consumirem carne então a mesma área serve para menos de 10. Ou seja, quanto mais próximo da base da pirâmide estiver a alimentação humana menos recursos consome e menos poluição liberta.
Quilómetros alimentares - Quanto menor a distância entre o local de produção e o local de consumo menos energia se desperdiça no transporte (e menos se estragam os alimentos durante o transporte). Por isso a Nova Zelândia exporta muitos kiwis mas é preferível consumir os que crescem no quintal (nosso ou de algum vizinho).
Sazonalidade - Quanto mais os alimentos forem da época menos recursos exigem na produção e armazenamento. Por exemplo: os morangos produzidos no inverno precisam de estufa iluminada e aquecida. Quando são produzidos no verão basta-lhes o sol e também ficam menos suscetíveis a pragas e doenças.

Critérios nutricionais (pesam 30%):
Equilíbrio nutricional - Este critério valoriza o equilíbrio nutricional global da receita, considerando a seleção dos ingredientes, o método de confeção e o seu contributo para uma alimentação equilibrada.
Teor de fibra - Este critério valoriza a utilização de ingredientes naturalmente ricos em fibra (como cereais integrais, leguminosas, fruta, hortícolas, sementes e frutos secos) porque contribuem para uma alimentação mais equilibrada e promotora da saúde.
Teor de açúcar e sal - Este critério valoriza a redução da quantidade de açúcares adicionados e de sal na receita, privilegiando estratégias que permitam manter o sabor e a aceitabilidade dos produtos (como a utilização de fruta, ervas aromáticas, especiarias e outros ingredientes naturais).
Qualidade da gordura - Este critério valoriza a utilização de fontes de gordura insaturada, características da dieta mediterrânica (como azeite, frutos secos e sementes) e penaliza o recurso a gorduras hidrogenadas (trans).

Critérios económicos (pesam 20%):
Custo dos ingredientes e da confeção - A receita deve ser acessível, ou seja, favorecer ingredientes de baixo custo bem como métodos de confeção que não exigem equipamentos sofisticados (que não existem na maioria das nossas casas) ou com grande consumo energético.
Empoderamento comunitário - Devem ser privilegiados parceiros locais que promovem tradições da região ou projetos que fortalecem a ligação entre a escola, as famílias e a comunidade (como hortas escolares, associações locais ou mercados de proximidade). 
Desperdício “zero” - A receita deve minimizar o desperdício alimentar. Sempre que possível deve privilegiar-se o aproveitamento integral dos ingredientes, as formas de reutilizar sobras e o mínimo de embalagens.

Critérios de inovação (pesam 20%):
Ingredientes, formulação da receita e confeção - Este critério avalia o grau de originalidade da receita, tendo em conta a utilização inovadora de ingredientes (ingredientes novos de fonte natural e sustentável, pouco explorados ou utilizados de forma inovadora), a criatividade na formulação da receita (combinação original de ingredientes que possam gerar novos sabores ou texturas e melhoria do perfil nutricional, valorização de subprodutos ou ingredientes locais) e a aplicação de técnicas de confeção inovadoras, eficientes do ponto de vista energético, que possam contribuir para a preservação da qualidade, segurança e funcionalidade da receita. 
Vídeo e fotos - Este critério avalia a criatividade, originalidade e eficácia dos conteúdos visuais que suportam a apresentação da receita e do seu valor acrescentado.
Apresentação do prato e aparência global - Este critério avalia o aspecto visual do prato: tanto a qualidade e atratividade do empratamento como a harmonia e o cuidado da apresentação.

Os participantes vão ser distribuídos por 3 escalões diferentes:
A - ensino básico (8º e 9º anos)
B - cursos profissionais e com planos próprios do ensino secundário
C - cursos científico-humanísticos do ensino secundário 

O escalão C tem de escolher uma destas categorias:
– Sabor a mar (para receitas que valorizam a alimentação de base aquática)
– Plantas silvestres (os alimentos selvagens são os mais biodiversos e económicos de todos)
– Street food (quando a comida se come à mão)
– Leguminosas luminosas (proteínas vegetais tendem a ser mais amigas do ambiente... e apontam o caminho do equilíbrio ecológico)
– Mesa aberta  (para todas as propostas que não estão alinhadas com as categorias anteriores)

Note-se que a apanha de plantas silvestres exige cuidado, conhecimento e responsabilidade. Também há plantas venenosas e é preciso saber distinguir com rigor! Algumas das plantas selvagens mais comuns na alimentação estão descritas nesta página: https://simplyflow.pt/plantas-silvestres-comestiveis/. A regra mais importante é: se não tem a certeza do que são então NÃO COLHA NEM USE plantas selvagens! Como nem sempre é a época certa para apanhar plantas silvestres é permitido comprá-las desde que sejam plantas que existam espontaneamente na natureza em Portugal. Isto inclui, por exemplo, bolotas, acelgas, agrião, beldroegas, urtigas, alfarroba, amora, castanhas, flor e bagas de sabugueiro... Nota: os cogumelos não são plantas (são fungos) por isso não se enquadram na categoria de plantas silvestres comestíveis. 

Depois do planeamento começa o terceiro passo – o trabalho prático. Trata-se de preparar de facto a comida. Muito importante: toda a preparação tem de ser realizada pelos estudantes e esse trabalho tem de ser fotografado e filmado. Também é preciso mostrar o trabalho final nas fotos: o prato pronto e, noutra imagem, os estudantes a provarem-no. Tudo isto é levado em consideração pelo júri.

Finalmente é necessário escrever: no formulário online explica-se o que se fez e justificam-se as escolhas do ponto de vista dos critérios deste concurso. Aconselha-se vivamente a que as questões do formulário sejam lidas com antecedência.

Os trabalhos têm de ser entregues até ao final do dia 12 de janeiro de 2027. Os grupos selecionados para a final são anunciados a 5 de fevereiro de 2027. A final terá lugar no dia 5 de março de 2027 nas instalações da Escola Superior de Biotecnologia, no Porto. O chef Hélio Loureiro – a quem desde já agradecemos sinceramente! – disponibilizou-se para integrar novamente o júri, tanto o da manhã como o da tarde, e contribuir para escolher os grandes vencedores.

Com a generalização do uso de Inteligência Artificial (IA) torna-se necessário clarificar de que forma ela é (eventualmente) empregue nos trabalhos deste concurso pelo que o formulário inclui uma questão específica sobre isso. O uso de IA não é proibido mas tem de ser declarado em detalhe sob compromisso de honra.

O formulário para a submissão está nesta página: https://tinyurl.com/concurso-2027

A FINAL
O concurso para os escalões A e B decorre durante a manhã do dia 5 de março. São selecionados 5 grupos em cada escalão. O escalão C é posto à prova durante esse dia à tarde e são selecionados 3 grupos em cada categoria.

O estilo, para todos os escalões, é a apresentação de cada prato a todo o júri (que vai estar sentado e é composto por 6 pessoas) de uma só vez.
Todos os prémios têm o valor de 150€:
– o escalão A recebe dois prémios, sem distinção
– o escalão B recebe dois prémios, sem distinção
– o escalão C recebe cinco prémios, um por cada categoria

Na seleção inicial e na competição final as submissões serão avaliadas por professores e investigadores da Escola Superior de Biotecnologia (para além do chef Hélio Loureiro). Tanto o júri inicial como o da final (os membros não se repetem) são soberanos e reservam-se o direito de não selecionar nenhuma proposta (ou menos do que o previsto) em qualquer das categorias no caso de considerarem que os critérios mínimos exigidos não foram atingidos. Também podem atribuir menções honrosas consoante entenderem. Cada grupo só pode ser selecionado para a final no máximo uma vez (no total das categorias). 

O ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL
A inovação alimentar é uma área com grande potencial de impacto na alimentação do futuro e nas empresas envolvidas, para já não falar da sociedade e do ambiente. No contexto empresarial a inovação alimentar determina o progresso no desenvolvimento de novos produtos e processos, na produção, na distribuição e na gestão em geral. A ESB – Escola Superior de Biotecnologia desenvolveu ao longo dos anos um foco central na inovação alimentar, tanto ao nível do ensino especializado quanto ao nível da investigação. O objetivo maior é de preparar profissionais para desenvolver atividades nos mais diversos mercados nacionais e internacionais, abarcando desde a indústria à consultoria e empreendedorismo em geral. Todas as universidades têm a responsabilidade de contribuir ativamente para os objetivos do desenvolvimento sustentável e a ESB assume o seu papel de garantir que o conhecimento científico e tecnológico qualificado na área da inovação alimentar se desenvolve permeado pela sensibilidade ambiental e respeito pelos direitos das gerações futuras.

AS NOTAS DE RODAPÉ
Os resultados, incluindo imagens, serão divulgados nas redes sociais e pela comunicação social. Os dados pessoais que forem recolhidos no âmbito do concurso serão tratados com respeito pela legislação de proteção de dados pessoais. Tanto o texto como as ideias, imagens e vídeos submetidos passam a pertencer à organização do concurso por forma a permitir a publicação futura de um livro. Qualquer dúvida ou dificuldade (ou até o acesso/retificação/eliminação dos dados pessoais) deve ser comunicada para o email biotecnologia@ucp.pt. A participação neste concurso pressupõe a plena aceitação das instruções acima, incluindo de qualquer decisão do júri (da qual não cabe recurso).

Os resultados do concurso de 2025/26 estão publicados nesta notícia.
Os resultados do concurso de 2024/25 estão publicados nesta notícia.
Os resultados do concurso de 2023/24 estão publicados nesta notícia.
Os resultados do concurso de 2022/23 estão publicados nesta notícia

Esta atividade é realizada no âmbito do projeto BLUE DESIGN ALLIANCE, financiado pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para 2021-2026.

A iniciativa também recebe financiamento destes dois projetos:

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O LegumES recebeu financiamento do programa de investigação e inovação Horizonte Europa da União Europeia ao abrigo do Acordo de Subvenção n.º 101135512. O seu trabalho é também apoiado pelo Innovate UK através do esquema de Garantia Horizon Europe e pela Secretaria de Estado Suíça para a Educação, Investigação e Inovação (SERI), Subvenções n.° 23.00034 e 23.00645.

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O COUSIN recebeu financiamento do programa de investigação e inovação Horizonte Europa da União Europeia ao abrigo do Acordo de Subvenção n.° 101135314. O seu trabalho é também apoiado pelo Innovate UK através do esquema de Garantia Horizon Europe e pela Secretaria de Estado Suíça para a Educação, Investigação e Inovação (SERI), Subvenção n.° 22.0412.