Quando chega o mês de julho, o que é que apetece mais: passar o dia na praia sem fazer nada, ou partir à descoberta do mundo dentro de um laboratório? A Academia de Férias da ESB foi criada para todos os alunos do secundário que preferem a segunda opção. Estes cientistas em franco desenvolvimento passam uma semana com a mão na massa e saem com a consciência de que a investigação científica afinal está ao alcance de todos.
Há atividades enganadoramente fáceis. Quando o objeto de trabalho é um rolo de papel higiénico, que complicação pode haver? Mas se com essa celulose se parte para as atividades enzimáticas que permitem obter açúcar e assim perceber como é possível produzir biocombustíveis a partir de restos florestais, só as cabeças bem atarrachadas é que não começam a andar à roda.
Açúcar, embora noutro formato, é o que não falta na produção de gelado. Quem pensar que não há ciência nenhuma em ligar uma geladeira à tomada é porque nunca experimentou usar azoto líquido! Mas trata-se de uma receita que não se deve tentar em casa: uma só pinga na pele deste estranho líquido a -200 graus centígrados dá buraco garantido. Quanto ao gelado, ninguém fica indiferente. Como a congelação acontece quase instantaneamente os cristais de gelo que se formam são muito pequenos e a textura final é muito mais macia do que quando se fazem em casa.
A ciência faz-se de investigação, e é a averiguar a qualidade da água que os participantes percebem como ela pode contribuir para a sociedade. Estes autênticos detetives privados recolhem amostras de água no Parque da Cidade do Porto e também numa das praias da cidade e fazem os cultivos que permitem aferir do bom estado desse precioso recurso. Infelizmente, em 2013, foram detetados coliformes fecais na água da praia, o que aponta para contaminação por esgotos - algo que devia preocupar os adultos responsáveis, para além dos estudantes.
Curiosamente a ciência pode também cruzar-se com a arte e deslumbrar quem gosta do inesperado. Quando se pega numa couve roxa e se constrói um arco-íris para medir o nível de acidez (ou do seu oposto, a alcalinidade) de produtos como champôs e de pasta de dentes, dá realmente vontade de puxar da máquina fotográfica e dar asas à criatividade.
Onde não há qualquer margem para ser criativo é na cozinha do restaurante de uma conhecida cadeia de fast food que também é objeto de visita. As regras são tantas, e de tal modo exigentes, que não é muito diferente de trabalhar num laboratório. A verdade é que todos esses cuidados não impedem que este tipo de alimentação receba muitas críticas em termos nutricionais, o que só demonstra que tudo no mundo tem um lado negro... mais ou menos bem à vista.
No fundo trata-se de "Uma semana que soube a pouco!" como diz a Marta, uma das participantes em 2013. Além das muitas experiências e atividades desenvolvidas retém-se também o convívio (grande ênfase para os jogos de cartas!) com novas amizades solidificadas pelo fascínio comum em torno de fluidos não newtonianos, análise sensorial e deteção de vitaminas. Tal como lembra a Leonor, "Descobrimos mais jovens da nossa idade com um interesse comum."
De resto, a juventude impõe-se e acabam todos por apanhar também quanto sol querem, pelo menos durante o descanso da hora de almoço prolongada em que se regalam a lagartear no jardim da faculdade. Para o ano cá voltaremos porque, remata a Leonor, "Recomendo a todos os jovens do secundário!"
Nota: Os interessados em saber mais sobre a Academia de Férias da Escola Superior de Biotecnologia da Católica devem enviar um mail para escolas@esb.ucp.pt ou consultar a página www.esb.ucp.pt/academiadeferias