ESB estuda resistência microbiana a antibióticos em água até à torneira

Quinta-feira, Julho 25, 2013 - 09:52

ESB estuda resistência microbiana a antibióticos em água até à torneira

Árvore filogenética da distribuição das diferentes espécies de Acinetobacter nos diferentes locais de amostragem. Cada círculo representa uma estirpe e o tamanho dos círculos é directamente proporcional ao número de isolados pertencentes a essa estirpe.

As bactérias pertencentes ao género Acinetobacter são conhecidas como patogénicos oportunistas, e por possuírem ou facilmente adquirirem elementos de resistência a antibióticos. São consideradas ubiquistas, podendo ser encontradas nos mais variados locais como sejam solos, águas de consumo e residuais ou em ambiente hospitalar. Neste estudo comparam-se bactérias do género Acinetobacter provenientes de estação de tratamento de água (ETA) e de água de torneira, recolhida em diversas habitações e de uma unidade hospitalar. Pretendia-se avaliar a diversidade genética e a capacidade para de resistir a antibióticos e se, de algum modo, desde a captação até às toneiras podia haver variações nas estirpes e nos seus perfis de resistência. Foram encontradas 11 espécies distintas, a maioria como A. lwoffii, A. johnsonii, A. parvus e A. tjernbergiae. A mesma estirpe, ou seja a mesma linhagem genética, não foi encontrada a simultaneamente na origem e nas torneiras. As A. lwoffii e A. pittii, comummente associadas a infecções oportunistas, eram as mais frequentemente detetadas em água de torneira.

A maioria (80%) das bactérias isoladas não apresentava indícios de resistência adquirida a antibióticos. Contudo, houve alguns indícios de resistência adquirida e algumas resistências a antibióticos foram encontradas apenas em água de torneira, sugerindo que a entrada de bactérias resistentes ou a aquisição de resistência pode ocorrer ao longo da distribuição da água, após a sua desinfeção. De facto a tipagem genética sugeriu que os Acinetobacter spp. detetados em água de torneira poderão entrar no sistema de distribuição após a saída da água da ETA.

Este estudo confirmou ainda a ubiquidade de algumas espécies de Acinetobacter na água e enfatiza o facto de a água da torneira poder representar um veículo de bactérias e mecanismos de resistência a antibióticos clinicamente relevantes para humanos.

A equipa da ESB envolvida neste estudo foi liderada pela Profª Doutora Célia Manaia. Para saber mais pode consultar o artigo científico onde foi publicado o trabalho.