Há bactérias que ajudam o milho quando não chove

Tuesday, April 6, 2021 - 17:20

De acordo com a FAO a percentagem de área do planeta afetada pela seca duplicou nos últimos 40 anos, tendo prejudicado a produção agrícola sobretudo nas regiões áridas e semiáridas. A seca condiciona o crescimento das plantas e, consequentemente, o rendimento de culturas básicas alimentares, como é o caso do milho, contribuindo para a redução da disponibilidade de alimentos em todo o mundo.

Perante uma população em crescimento e num cenário de alterações climáticas é fundamental que os sistemas agrícolas sejam revistos e se favoreça uma agricultura sustentável tal como prevê o 2º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável – Fome Zero – da Agenda 2030 da Nações Unidas.

Uma das ferramentas disponíveis é a aplicação de bioinóculos, constituídos por bactérias promotoras do crescimento vegetal e que podem, entre outros, contribuir para melhorar a tolerância das plantas à falta de água (stress hídrico). Esta linha de trabalho tem vindo a ser aprofundada no CBQF, o centro de investigação da Escola Superior de Biotecnologia.

Recentemente um estudo avaliou o efeito da adição de duas bactérias (Cupriavidus necator 1C2 e Pseudomonas fluorescens S3X) ao solo com plantas de milho cultivadas em estufa sob 3 níveis de irrigação (sem défice hídrico, com défice hídrico moderado e com défice hídrico severo). Estas bactérias são tolerantes ao stress hídrico e produzem substâncias promotoras do crescimento das plantas.

Tal como esperado as condições de défice de água moderado e severo reduziram o crescimento do milho, sobretudo na parte aérea das plantas (caule e folhas). No entanto, nos vasos em que as bactérias tinham sido aplicadas – e apesar de sofrerem da mesma falta de água – as plantas cresceram até cerca de 90% mais.

Estes resultados são muito encorajadores e mostram que a aplicação de bioinóculos pode ajudar a reduzir os efeitos do stress hídrico nas plantas, melhorando a produtividade de culturas importantes, como o milho, quando há falta de água.

Este estudo foi realizado pelos investigadores Sofia Pereira, Helena Moreia e Alberto Vega e pela aluna de mestrado Daniela Abreu, todos eles do Laboratório de Biotecnologia Ambiental e Recursos liderado pela Professora Doutora Paula Castro na Escola Superior de Biotecnologia.

Para saber mais poderá consultar este artigo científico onde foi publicado o trabalho.