Artigo sobre Listeria distinguido como "Hot Paper"

Monday, October 12, 2015 - 08:00

Artigo sobre Listeria distinguido como "Hot Paper"

A Professora Paula Teixeira e a sua pós-doc Vânia Borges Ferreira publicaram um trabalho científico na revista Journal of Food Protection que se transformou, com 340 downloads, no artigo mais popular do ano desta revista. Além disso, em maio/junho de 2015 ele recebeu citações suficientes para atingir o topo dos 0.1% melhores artigos da sua área académica (de acordo com o ISI Web of Science - Essential Science Indicators).

Esta visibilidade reflete naturalmente tanto a relevância do tema como a qualidade do trabalho. A listeriose é uma infeção que tem como origem a ingestão de alimentos contaminados com a bactéria Listeria monocytogenes  e que está a revelar-se como um importante problema de saúde pública devido à severidade da doença e ao seu significativo impacto económico. Embora seja uma doença rara, com uma incidência relativamente baixa, a listeriose apresenta a maior taxa de mortalidade de todas as doenças de origem alimentar sob vigilância na União Europeia. Em países com programas de vigilância estabelecidos para listeriose tem sido registado um aumento da sua incidência e uma alteração na distribuição dos casos, com um aumento em indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos.

Nos últimos anos vários estudos têm sugerido que a persistência de estirpes de L. monocytogenes em ambientes de processamento alimentar ao longo de vários meses ou até anos constitui um fator importante, não só na contaminação de alimentos como na transmissão deste patogéneo para as pessoas. Tipicamente a persistência é identificada através do re-isolamento de um subtipo molecular de amostras colhidas num determinado local ao longo do tempo. Fatores técnicos e ambientais, tais como equipamentos e locais de difícil acesso e higienização, têm sido identificados como elementos chave para essa persistência. Os mecanismos específicos que a originam são ainda pouco compreendidos.

Apesar de alguns estudos indicarem que estirpes persistentes de L. monocytogenes possuem características fenotípicas específicas que potenciam a persistência (como a formação de biofilmes e melhor adaptação a condições ambientais desfavoráveis), outros estudos apontam para a ausência de diferenças significativas entre estirpes persistentes e estirpes isoladas esporadicamente.  Este artigo de revisão no Journal of Food Protection analisa e discute o conhecimento científico atual sobre a persistência de L. monocytogenes, com particular foco em (i) persistência em ambientes associados e processamento  de alimentos, (ii) persistência no ambiente em geral, (iii) características fenotípicas e genotípicas de estirpes persistentes, (iv) nichos, e (v) impacto da persistência no plano económico e na saúde pública.

Os interessados em ler o artigo devem contactar Vânia Ferreira.