O Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, acolhe o projeto ALICE – Advancing the vaLorIzation of rabbit skIn by-produCt: dEcellularized dermal matrices for burn wound treatment, coordenado pela investigadora Viviana Pinto Ribeiro.
O projeto propõe uma abordagem inovadora e sustentável ao tratamento de queimaduras profundas, através da valorização de um subproduto da indústria agroalimentar, a pele de coelho, como matéria-prima para o desenvolvimento de substitutos de pele humana.
Todos os dias, cerca de 5000 peles de coelho são processadas em Portugal para extração de pelo, gerando um subproduto com elevada integridade estrutural e bioquímica: a derme. O projeto ALICE pretende transformar este recurso subvalorizado em matrizes dérmicas descelularizadas altamente preservadas, com propriedades semelhantes às da pele humana.
Estas matrizes serão desenvolvidas através de um processo ecológico e minimamente invasivo, e validadas em modelos ex vivo de feridas por queimadura. O objetivo é contribuir para uma regeneração mais eficaz da pele, com menor risco de rejeição e resposta imune adversa.
A investigação contempla ainda a recelularização das matrizes com células humanas e a sua avaliação em plataformas laboratoriais que simulam o ambiente clínico, permitindo validar estas estruturas como substitutosde pele. Esta solução poderá representar uma alternativa segura, eficaz e sustentável aos enxertos autólogos ou substitutos comerciais atualmente disponíveis.
O projeto ALICE resulta de uma colaboração entre o CBQF/ESB-UCP, a empresa Cortadoria Nacional de Pêlo S.A., que assegura o fornecimento da matéria-prima e o potencial de escalabilidade industrial, e o Centro Hospitalar Universitário de São João, parceiro na cedência de amostras humanas e na validação científica.
Financiado em 49 566 euros no âmbito do programa RESTART da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o projeto promove a retoma da atividade científica de investigadores após licença parental. O nome ALICE foi escolhido em homenagem à filha da investigadora, simbolizando a importância da conciliação entre vida familiar e carreira científica.
Com duração de 18 meses, o projeto prevê a submissão de pedidos de patente, a publicação de artigos científicos em revistas de elevado impacto, a participação em congressos internacionais e a formação de estudantes de mestrado e doutoramento.
O ALICE está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, nomeadamente nas áreas da saúde, indústria e inovação, e produção sustentável.
Com esta iniciativa, a Universidade Católica Portuguesa reforça o seu compromisso com a investigação de excelência, a valorização de recursos naturais e a promoção de soluções científicas com impacto social, económico e ambiental positivo.