As Medalhas de Honra l'Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência - uma iniciativa conjunta da l'Oréal Portugal, da Comissão Nacional da UNESCO e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia - são atribuídas anualmente desde há dez anos e premeiam três jovens investigadoras com trabalho relevante. A edição de 2014, anunciada no final de janeiro em cerimónia presidida pela Dra Maria Cavaco Silva, escolheu Luísa Neves, Joana Tavares e Inês Gonçalves pela sua investigação em proteção do ambiente, malária e cancro do estômago, respetivamente.
Inês Gonçalves, na foto acima, licenciou-se em microbiologia pela ESB no virar do século e está atualmente a trabalhar no Instituto de Engenharia Biomédica, no Porto. A respeito deste prémio perguntámos-lhe que recordações guardava do seu percurso académico na Universidade Católica. O seu testemunho, na primeira pessoa, deixa-nos orgulhosos e empenhados para fazer cada vez melhor:
"Assim que descobri a licenciatura em Microbiologia soube imediatamente que era o curso que queria tirar, não só por estar relacionado com a área da saúde - de que sempre gostei - e por ser lecionado pela Universidade Católica, que considerava uma excelente instituição, mas também pela excecional valência experimental que oferecia.
As expectativas confirmaram-se: foram 4 anos de excelente formação teórica mas, principalmente, de aulas práticas diárias, relatórios semanais e inúmeras apresentações orais. Esta forte componente prática deixou-me completamente "à vontade" no laboratório e com maturidade para começar o doutoramento assim que acabei a licenciatura em 2003.
Embora não fosse possível aos alunos de Microbiologia terem acesso ao "Programa Erasmus" - a meu ver uma grande falha da minha formação pré-graduada -, tive no entanto a possibilidade de estagiar num laboratório de investigação em regime voluntário durante o 3º ano da licenciatura. Esta oportunidade surgiu através do contacto com o Prof. Rui Barros, que tinha sido meu professor de Métodos Estatísticos, e que se encontrava a fazer o Doutoramento no Laboratório de Engenharia de Bioprocessamentos da ESB.
Deste trabalho resultou uma publicação na revista "Enzyme and Microbial Technology", que acredito ter sido um fator determinante na avaliação positiva da minha candidatura a uma bolsa de Doutoramento da FCT. No 4º ano da licenciatura tive a oportunidade de realizar o meu estágio de final de curso no Laboratório de Bioprocessamento não Alimentar sob orientação da Profª Paula Castro e da Drª Fátima Carvalho. Para além das diversas técnicas e metodologias que aprendi e aprofundei, do trabalho resultou um outro artigo científico que foi mais tarde publicado na revista "Bioresource Technology".
A Profª Paula Castro foi sem dúvida uma pessoa muito importante na minha carreira científica, tendo-me apresentado e "recomendado" à Doutora Cristina Martins, investigadora do INEB e também ex-aluna da ESB, que veio a ser a minha co-orientadora de Doutoramento.
A minha formação em microbiologia permitiu-me ter um papel ativo nos trabalhos desenvolvidos pela equipa onde estou integrada e cujo objetivo é explorar a bioengenharia no desenvolvimento de estratégias terapêuticas para doenças infecciosas.
Por tudo isto, e por muitas outras razões que não tive oportunidade de mencionar, considero que a ESB proporcionou as condições ideais para iniciar a minha carreira científica; gostaria de deixar aqui o meu "Muito obrigada" e desejar que esta instituição continue a formar e apoiar futuras gerações."