Impulso genético: A genética depois de 2050

Quarta-feira, Abril 15, 2015 - 14:10

Em 2014/15 os alunos de Genética Geral foram desafiados a refletir sobre a importância da Genética no  presente e futuro da sociedade. Este é um dos trabalhos resultantes.

Impulso genético: A genética depois de 2050
Impulso genético: A genética depois de 2050
 

Bruno Miguel Guedes Horta

 

À medida que a tecnologia e a ciência evoluem, assim como aumenta a capacidade cognitiva humana, novos avanços e descobertas são alcançados. Num futuro próximo, o mundo irá ser envolvido por maravilhas da ciência, no qual diversas e variadas áreas da biotecnologia terão elevado destaque. No entanto, uma delas terá um realce peculiar, a genética.

A genética terá um impacto profundo na vida da Terra. Sendo uma área em ascensão já há alguns anos, esta tornou-se recorrente e promissora para o nosso futuro. E assim o será após o ano 2050, tendo influência em setores alimentares, intervindo na alimentação, em áreas clínicas, combatendo e inibindo, senão mesmo erradicando doenças, e até em temáticas ambientais.

Na alimentação, o conceito de transgénicos deve expandir, com a aceitação da produção e consumo de alimentos geneticamente modificados. Dar-se-á certamente, uma maior implementação desses alimentos na dieta humana. A indústria irá crescer e “nova comida” será criada com a ajuda de técnicas inovadoras. Ao implementar genes vantajosos no material genético da fruta, por exemplo, fornecer-lhe-á melhores caraterísticas com impacto crucial no combate à malnutrição.

Poderão ainda ser desenvolvidos seres vivos, que, por alteração genética, possuam genes ou fatores mais vantajosos para a saúde humana, isto é, imagine-se um animal cuja interação entre vários genes permite a produção de proteínas que conferem maior consistência nos seus músculos e, resulta, portanto, uma carne, não só mais saborosa, mas também nutritiva. Em suma, as propriedades nutricionais serão alteradas e melhoradas.

Com o fantástico salto proporcionado pela sequenciação do genoma humano, projeto terminado em 2003, novas portas foram abertas e muitas possibilidades tornadas reais. Decerto, não tardará que a ciência correlacione e faça corresponder alterações/mutações de sequências de DNA com o aparecimento de várias doenças e patologias genéticas. Este avanço proporciona também um melhor entendimento da doença propriamente dita, e, por isso, novos tratamentos de terapia génica devem surgir. No futuro, a cura passará pela correção das sequências mutadas, utilizando um conjunto de enzimas que têm como função principal cortar a sequência específica (enzimas de restrição) e outras que se encarreguem de substituir os nucleótidos, por outros de interesse. Estas ações podem vir a ser executadas em indivíduos que desenvolvem sintomas a partir de uma certa idade, procedendo-se à retificação genética, acabando com a manifestação da patologia.

Imagine-se o seguinte: um paciente dependente de injeções de insulina possui uma disfunção no seu pâncreas que o impede de sintetizar a insulina. Com recurso aos avanços que marcarão o futuro, genes poderiam ser introduzidos no núcleo das células do órgão de modo a torná-lo completamente saudável e, como consequência extremamente positiva, o paciente seria curado. Do mesmo modo, antes de um indivíduo nascer, através de técnicas muito sofisticadas será possível a seleção e prontamente correção de fatores que possam influenciar a doença nos próprios gâmetas. Algo como criar um ser com as caraterísticas desejadas. Outras técnicas poderão fazer uso de vacinas de DNA, na prevenção e tratamento de doenças infeciosas. Quem sabe, poderão até ser desenvolvidas vacinas que apresentam uma taxa de mutação controlada das frações genéticas que apresenta, conferindo imunidade ao organismo de acordo com a modificação do vírus (no caso de se tratar de um), pois estes possuem a particularidade de se alterarem frequentemente, atraiçoando o sistema imunitário.

A nível ambiental a grande aposta da genética passará pelas plantas e outros seres fotossintéticos. Com a poluição e a desflorestação a aumentar ano após ano, o nosso planeta e a humanidade necessitam de soluções eficazes. Menos plantas significam menor percentagem de oxigénio no ar, essencial a muitas formas de vida. Então, a inovação poderá ser conquistada pela obtenção de plantas com maior taxa fotossintética (que é bastante reduzida) e com resistência mais elevada a pragas e ambientes hostis, nomeadamente com a inclusão de propriedades inseticidas. Ao elevar a eficiência fotossintética torna-se possível, não só a maior obtenção de nutrientes para a planta, mas também o benefício da produção de mais oxigénio.

Num pensamento ainda mais distante no tempo, poderá tentar obter-se novos organelos celulares que auxiliem ou substituam até os atualmente conhecidos em células vegetais, como os cloroplastos, com a intuição de elevar o rendimento fotossintético. A engenharia genética, aliada também à bioquímica, nanotecnologia e outras áreas afins da biotecnologia, poderiam permitir essa criação, desenvolvendo uma nova peça, igualmente com sequências de ácidos nucleicos próprios que funcionariam em conjunto com a célula, trazendo-lhe novos benefícios e maior eficiência.

Terminando, imensos serão os feitos da genética no decorrer das próximas décadas e, sobretudo, depois de 2050. Até onde nos levará e o que nos vai oferecer? Resta esperar para conhecer as espantosas possibilidades.

 

BIBLIOGRAFIA