O Programa Folium não é apenas mais um projeto académico na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa. É uma ponte viva entre quem já trilhou o caminho e quem está a começar, um programa de mentorado por profissionais que transforma a experiência universitária em algo mais humano, prático e orientado para o futuro.
O nome “Folium” vem do latim e evoca as folhas de um livro ou de uma árvore, símbolos de ligação e continuidade. O programa junta alumni (antigos alunos com identidade profissional consolidada) a estudantes atuais da ESB, criando uma cumplicidade intergeracional única.
Não se trata de aulas extra, nem de terapia. É um mentorado individual, personalizado e ao ritmo de cada estudante. O foco é simples e visa ajudar a refletir sobre o que realmente move os estudantes, ajudando-os a construir um “puzzle do sucesso” e a prepararem-se para o mercado de trabalho com confiança.
O programa está aberto a estudantes do 1.º, 2.º e 3.º anos das licenciaturas em Bioengenharia, Microbiologia, Ciências da Nutrição e Ciências e Sociedade, estudantes do 4.º ano da licenciatura em Ciências da Nutrição e estudantes do 1.º ano de mestrado.
O importante papel dos alumni
Quando se fala em construir uma carreira sólida na área da Biotecnologia, poucas coisas são tão valiosas como o conselho de quem já percorreu o caminho. Sandra Moura, alumna da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e mentora no Programa Folium, é um desses exemplos inspiradores.
O que a motivou a participar no programa FOLIUM enquanto alumna e que impacto tem tido esta experiência?
Por um lado, a oportunidade de "dar de volta" à Escola Superior de Biotecnologia (ESB-UCP), enquanto entidade que foi determinante para me definir como profissional. A ESB-UCP contribuiu para a definição do meu percurso e a construção de um conjunto de valores, que ainda hoje norteiam a minha atividade profissional. Por exemplo, o gosto pela inovação, o pensamento crítico, o rigor, o interesse por aprender temáticas novas e diversas. Por outro lado, a possibilidade de interagir de forma próxima com os atuais alunos. Desde logo, enquanto mentorandos e mentores, temos em comum a escolha pela biotecnologia e pela ESB-UCP para nossa a formação académica. É algo que nos une, como um ponto de partida sólido. A experiência tem sido extremamente gratificante. Cada mentorando indicou necessidades diferentes e formas de atuar completamente diversas, o que é extremamente enriquecedor. Dou por mim a alargar o discurso e a aprender novas formas e meios para melhor chegar até eles.
Que tipo de desafios ou dúvidas são mais frequentes entre os mentorandos e como procura orientá-los na definição do seu percurso académico e profissional?
Já me colocaram dúvidas bastantes diversas, desde, por exemplo, locais para realização de estágios ou sugestões para a melhoria de partes específicas de um projeto realizado no âmbito de uma disciplina. Da minha parte, procuro criar uma relação com os mentorandos para que se sintam completamente à vontade para colocarem qualquer questão que surja no seu dia a dia de estudantes e/ou relativamente às decisões que vão tendo de tomar no seu percurso académico.
Não tento (de todo) esboçar ou determinar o percurso por eles, mas tento muni-los de informação que os possa ajudar a tomar decisões mais conscientes e com propósito. Também lhes tento incutir a visão de que o percurso profissional se faz caminhando, pelo que é muito importante promoverem experiências em diferentes contextos enriquecedores.
Na sua perspetiva, que competências são hoje essenciais para quem quer construir carreira na área da biotecnologia?
No contexto atual, a biotecnologia está explicitamente identificada como um dos setores prioritários dentre as tecnologias consideradas estratégicas para a Europa. Existem muitos novos investimentos a serem desenvolvidos nesta área. Dependendo se preferem mais Indústria ou Investigação, devem procurar iniciar a carreira numa entidade reconhecida na área. No decurso da construção da carreira, em termos de competências essenciais, e para além do domínio da área técnica em si, é importante serem criativos e críticos na procura de soluções mais otimizadas e custo-eficientes.
Se pudesse voltar ao momento em que era estudante, que tipo de orientação gostaria de ter recebido e que hoje procura transmitir aos mentorandos?
Sem dúvida o promover mais oportunidades, mais cedo, para conhecer várias realidades organizacionais. No 5.º ano de curso tive a oportunidade de realizar o estágio curricular nos laboratórios de I&D da Unilever (UK). Adorei, senti que cresci enormemente quer como profissional, quer como pessoa. Voltando à questão, procuraria promover mais oportunidades que me permitissem experienciar ("por dentro") diferentes contextos profissionais, por exemplo, por via de estágios de curta duração.