Como construir a sustentabilidade? Desafios e Futuro na 2ª conferência do INSURE.Hub

Terça-feira, Novembro 22, 2022 - 12:29

Estar na vanguarda da promoção da inovação, da sustentabilidade e da regeneração é o propósito do INSURE.hub e foi com esse mesmo objetivo que organizou a sua 2ª conferência, onde reuniu vozes de diferentes quadrantes da sociedade envolvidos em processos de inovação disruptivos, circulares, sustentáveis e regenerativos.

O evento, que decorreu a 17 de novembro no campus da Universidade Católica no Porto, que reuniu cerca de 200 participantes e que contou com a MDS como parceiro, apresentou os mais recentes desenvolvimentos nacionais e internacionais sobre o tema da sustentabilidade, inovação e regeneração. O objetivo? Inspirar à mudança, através da força dos exemplos e do impacto positivo que geram na sociedade.

João Pinto, vice-presidente da Católica no Porto e docente da Católica Porto Business School, Manuela Pintado, docente da Escola Superior de Biotecnologia e diretora do Centro de Biotecnologia e Química Fina, e António Vasconcelos, co-líder da Planetiers New Generation, marcaram a abertura do evento. Os co-leaders do INSURE-Hub abriram a conferência com uma apresentação da sua missão, objetivos e parceiros, fazendo ainda referência a uma “nova era de projetos”, que pretendem dar resposta aos principais marcos e desafios que se avizinham, pondo em prática os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, da Estratégia do Pacto Ecológico Europeu e das metas definidas para a Europa 2030.

João Pinto destaca a “oportunidade que este projeto tem de proporcionar uma abordagem interdisciplinar para parceiros e stakeholders e, também, a importância da “articulação com os ecossistemas”. Manuela Pintado referiu que “é o momento para a disrupção e para interagir com diferentes sistemas” e, neste sentido, os “parceiros estão realmente empenhados em apoiar esta transformação”. António Vasconcelos referiu que é uma “honra para a Planetiers colaborar com a Universidade Católica no Porto” e desta forma contribuir “para colocar Portugal na vanguarda da sustentabilidade e inovação na União Europeia.”

“Estamos empenhados em deixar a nossa pegada de sustentabilidade”, afirmou Peter Hanenberg, vice-reitor da Universidade Católica no Porto, durante a sua intervenção que encerrou a parte da manhã da conferência, que ficou marcada por 10 apresentações académicas sobre diferentes tópicos de investigação. O vice-reitor frisou, também, a vocação do campus da Católica no Porto para a multidisciplinaridade e a importância da missão do INSURE.Hub, iniciativa que tem como objetivo criar um ecossistema internacional de conhecimento transdisciplinar que promova soluções de negócio de âmbito circular, sustentável e regenerativo, potenciadas por tecnologias disruptivas.

 

Compromisso, entusiasmo, energia

O INSURE.Hub, que resulta da mobilização da Católica no Porto, através das suas Faculdades - Católica Porto Business School e Escola Superior de Biotecnologia - e da Planetiers New Generation, assume como missão a partilha e transferência de conhecimento, enquanto ferramenta essencial para a prossecução da exigente tarefa de promover a sustentabilidade e de mostrar caminhos inovadores e diferenciadores.

“Compromisso, entusiasmo e energia”: para Isabel Braga da Cruz, presidente da Católica no Porto é assim o “INSURE.hub, um vibrante ecossistema internacional”. A presidente afirmou, durante a sessão de abertura da parte da tarde da conferência, que já são 50 entidades envolvidas nesta iniciativa e relembrou, também, que acaba de ser lançada uma pós-graduação em “Innovation for Sustainable & Regenerative Business”, uma formação, prevista para fevereiro de 2023, que visa preparar profissionais com o conhecimento e competências necessárias para transformar os modelos de gestão atuais e evoluir para uma economia limpa e circular, de acordo com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu. A presidente afirmou, também, que a conferência é mais uma oportunidade de “se analisar e compreender profundamente estes temas tão relevantes” e de se partilhar conhecimento “que possa ser aplicado em diferentes organizações.”

A tarde começou com a apresentação de diferentes casos de estudo, seguindo-se a intervenção do orador Paul Hodges, chairman da New Normal Consulting & Infinity Recycling, The World Economic Forum Global Expert, subordinada ao tema “In the wake of a perfect storm: an urgent call to Sustainable Action”. Paul Hodges começou por dizer que vive em Portugal há 3 anos e que vive “apaixonado pela ideia de levar Portugal numa nova direção”: "as energias renováveis são o caminho a seguir", afirmou. 

O orador apelou também à ação e à mobilização de todos, referindo que “Portugal tem aqui a sua oportunidade”: "Queremos resignar-nos ou queremos ir em frente?”. Uma intervenção que ficou marcada por diferentes apelos, desafios e convites à adoção de energias renováveis e alternativas.

 

Construir a sustentabilidade num futuro turbulento. Mas como?

Seguiu-se uma mesa redonda sobre o tema “Building a robust and sustainable future in turbulent times” que contou com a participação de Ana Salomé Martins, Executive Board Member da Symington Family Estates; de José Manuel Pereira Ribeiro, chairman da Lipor; de Filipe Araújo, vice-president da Câmara Municipal do Porto; de Mário Vinhas – COO da MDS; e, também, de Paul Hodges.

José Manuel Pereira Ribeiro referiu a importância deste tema para a empresa da qual é presidente, porque a “Lipor trata do desperdício de cerca de 1 milhão de pessoas”. O presidente da Lipor constatou, também, que “é uma pena não termos tido a oportunidade de falar de sustentabilidade há 20 anos”.

Ana Salomé Martins, durante a sua intervenção, referiu que é necessário “lidar com o problema enquanto ecossistema” e que “um problema sistémico precisa de uma solução sistémica.” “Estamos a enfrentar um grande desafio”, acrescentou.

"Devemos estar todos envolvidos", começou por referir o vice-presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP). Filipe Araújo afirmou que "se quisermos alcançar os objetivos de 2030, temos de o fazer em conjunto" e que no “Porto existe 70% de reutilização de vidro e 50% a 60% de papel e plástico de 20% a 30%". Sobre o plástico concretamente, o vice-presidente da CMP afirma que “podemos fazer muito mais do que estamos a fazer agora.”

Mário Vinhas afirmou que a “sustentabilidade é o nome do meio da MDS”. "Enfrentamos a necessidade de mudar a nossa cultura e só teremos êxito se implementarmos os processos corretos", acrescentou. O COO da MDS referiu, também, que “a mudança deve ser sustentável e rápida".

 

Inovação e sustentabilidade obrigatórias para atingir a neutralidade carbónica até 2050

A sessão de encerramento do evento contou com a presença da Secretária de Estado do Desenvolvimento Regional, Isabel Ferreira: "Tendo em conta as apresentações de hoje, as iniciativas relacionadas com a economia circular tornam-se óbvias e isto está alinhado com o contexto socioeconómico". Para a secretária de Estado "a inovação e a sustentabilidade são obrigatórias para atingir o objetivo da neutralidade de carbono até 2050".

"Todos reconhecemos a natureza obrigatória e a utilidade da implementação das diretrizes da economia circular" e "estamos todos mais conscientes dos grandes desafios a serem ultrapassados até 2050", referiu, também.

No início da tarde decorreram apresentações de diferentes casos de estudo: “Circular and disruptive innovation” (Amyris – Annie Tsong, Chief Strategy & Product Officer), “Business strategy in the challenging context of sustainability” (SONAE – Sónia Cardoso, Head of Sustainability, SONAE SGPS), “Sustainable investment and financing” (KPMG – Martim Santos, Senior Manager KPMG Advisory, Business Transformation and Sustainability), “Digital Transformation and Sustainable Business” (MDS – João Vieira, General Director of Operations Technology), “From waste into product” (LIPOR - Benedita Chaves, Head of Research, Development and Innovation Unit) e “Sustainability as a key element of Leadership” (Corticeira Amorim – Alexandra Godinho, Head of HR). Fez parte, também, do evento um momento musical interpretado pela Atlantic Coast Orchestra, seguido da entrega do MDS Best Papel Award, atribuído a João Almeida, mestre em Finanças pela Católica Porto Business School.

Durante todo o evento, proporcionaram-se diferentes momentos de networking que pretenderam ajudar na troca de ideias, perspetivas e conhecimento, tudo condições essenciais para o progresso e para o desenvolvimento de um mundo mais sustentável. É vocação do INSURE.Hub criar pontes entre a academia e as empresas e organizações. Esta segunda conferência vem concretizar e reforçar a missão deste ecossistema internacional inovador.

Fotografia do evento no auditório