CBQF Day 2026: ciência, indústria e impacto real numa só jornada

Terça-feira, Junho 2, 2026 - 17:09

O CBQF Day 2026, subordinado ao tema "Biotechnology for a Changing World", reuniu investigadores, estudantes, representantes da indústria e parceiros institucionais do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da Universidade Católica Portuguesa num dia intenso e cheio de ideias.

O resultado? Uma jornada que demonstrou, com clareza, que a biotecnologia já não é apenas uma promessa de futuro, é uma resposta concreta ao presente.

A diretora do CBQF, Manuela Pintado, resumiu bem o espírito do evento na sessão de abertura, lembrando que "num contexto global marcado por rápidas transformações ambientais, tecnológicas e sociais, a biotecnologia assume um papel decisivo na construção de soluções sustentáveis e inovadoras”.

Ao seu lado, Isabel Braga da Cruz, pró-reitora da Universidade Católica Portuguesa, sublinhou o papel estratégico do CBQF no ecossistema de investigação nacional.

Três minutos para mudar o mundo

Um dos momentos mais aguardados da manhã foi a sessão "Three-minute Project", moderada pelos investigadores Freni Tavaria e António Rangel. O formato é desafiante por natureza e cada investigador tem exatamente três minutos para apresentar o seu projeto de forma clara, envolvente e compreensível para uma audiência diversa.

É um exercício de comunicação científica tão necessário quanto exigente. Os projetos apresentados cobriram um espectro amplo das linhas temáticas do CBQF, mostrando que a investigação que se faz no Porto tem relevância direta para problemas que vão da segurança alimentar à saúde pública, passando pela sustentabilidade ambiental e a inovação industrial.

Um pedaço de história

O evento servir também para recordar, e mostrar, um pedaço da história da Escola Superior de Biotecnologia e do CBQF.

O Microscópio Eletrónico de Varrimento de Baixo Vácuo, que chegou à instituição em 1999, é um equipamento com um sistema de microanálise de raios X por dispersão de energia, permitindo a observação e caracterização morfológica de amostras, sendo especialmente adequado para a análise de materiais não condutores, sem necessidade de revestimento metálico prévio.

Com uma longa tradição na escola e depois de mais de duas décadas a servir investigação e investigadores, repousa agora em exposição nas instalações da ESB, onde pode ser visto por toda a comunidade.

Da bancada ao mercado

A mesa-redonda "CBQF Biotechnology: From Internal Excellence to Value Creation", moderada pelos investigadores Catarina Amorim e João Bebiano Costa trouxe quatro vozes com perspetivas muito diferentes sobre o mesmo problema: como é que a excelência científica se transforma em valor real.

Ana Machado (ICBAS-UP, Nadine Reis (Lipor, Vasco Esteves (Tecmafoods) e Raquel Madureira (CBQF/ESB/UCP) debateram a transferência de conhecimento e de como as empresas e os centros de investigação precisam de aprender a falar a mesma língua, não apenas em conferências, mas no dia a dia dos projetos.

A conclusão implícita foi partilhada por todos os participantes, ou seja, a inovação que fica na gaveta não serve ninguém.

Role playing

A tarde reservou ainda espaço para algo menos convencional, com um jogo de role playing que serviu para colocar investigadores e outros participantes em situações que testam competências de negociação, comunicação e resolução de problemas fora do contexto laboratorial habitual.

Esta edição do CBQF Day funcionou como um ponto de encontro entre mundos que precisam de trabalhar em conjunto: a investigação de ponta, a indústria, o setor ambiental e a academia.

E o tema escolhido (Biotechnology for a Changing World) não foi acidental. Vivemos num momento em que as respostas biotecnológicas são cada vez mais necessárias, e o CBQF posiciona-se como um dos centros portugueses com capacidade real para as produzir.

O desafio é garantir que essa capacidade se traduz em impacto. Não apenas em publicações e projetos aprovados, mas em soluções que chegam ao mercado, às políticas públicas e, em última análise, às pessoas.

Como referiu na sessão de encerramento Paula Castro, diretora da Escola Superior de Biotecnologia, “a criação de conhecimento é a nossa missão enquanto universidade”, frisando ainda que “a ligação e o que damos à sociedade é fundamental para um trabalho bem feito”.