Projeto Phy2SUDOE pretende encontrar soluções para recuperar solos contaminados

Wednesday, March 31, 2021 - 17:19

O projeto Phy2SUDOE visa encontrar soluções para recuperar solos contaminados no sul da Europa (Espanha, França e Portugal), utilizando estratégias de fitogestão.

O projeto Phy2SUDOE pretende capitalizar os resultados obtidos no projeto PhytoSUDOE, aumentando a rede transnacional de locais de demonstração e incorporando no projeto empresas, gestores e agentes económicos numa cooperação estreita com vista a desenvolver ferramentas sustentáveis para gestão de solos contaminados.

A fitogestão usa plantas para gerar produtos de valor acrescentado - como madeira, resina, bioenergia, óleos essenciais ou eco catalisadores - e serviços de ecossistema, incluindo o sequestro de carbono, controlo de erosão ou manutenção da biodiversidade - enquanto recupera um solo contaminado (Figura 1).

Figura 1 - Campo experimental com plantação de choupo estabelecido na Mina da Borralha no âmbito do projeto PhytoSudoe.

Visa ainda ser uma alternativa às tecnologias tradicionais de recuperação de solos contaminados, geralmente baseadas em técnicas físico-químicas de alto custo e, muitas vezes, de impacto negativo no ecossistema. Por isso, nas últimas décadas tem sido promovido o uso de ferramentas biotecnológicas para recuperar solos contaminados, por serem mais baratas e mais respeitadoras da integridade dos ecossistemas.

A importância do solo

O solo é um recurso natural que desempenha funções fundamentais para a nossa sobrevivência e bem-estar, como a produção de alimentos, fibras e combustível, decomposição da matéria orgânica, reciclagem de nutrientes, purificação da água, sequestro de carbono, manutenção da biodiversidade, etc. É por isso que vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável adotados pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) na sua Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável estão ligados, direta ou indiretamente, à proteção do solo.

Como consequência de várias atividades antropogénicas temos atualmente um elevado número de locais degradados (Figura 2) devido à contaminação dos solos com compostos orgânicos e inorgânicos, como os metais, o que impede ou limita a sua utilização para a produção agrícola e florestal, a criação de parques públicos, o estabelecimento de novas atividades industriais, etc.

Figura 2 – Mina da Borralha, Montalegre.

Especificamente, o Phy2SUDOE prevê:

  • Desenvolver ferramentas de avaliação do sucesso de intervenções de fitogestão usando como pano de fundo a rede transnacional de locais estabelecidos no projeto anterior - PhytoSudoe;
  • Incorporar novas tipologias de locais contaminados na rede transnacional;
  • Conservar a biodiversidade única presente em locais contaminados: plantas metalófitas e estirpes bacterianas com potencial para aplicações biotecnológicas.

Além do desenvolvimento de técnicas inovadoras de fitogestão, o projeto desenvolverá uma estratégia de comunicação e disseminação que permitirá a transferência de conhecimento e resultados para outras partes interessadas como agricultores, indústria e ONGs, comunidades e organizações governamentais, com o objetivo de melhorar a integração de alternativas de fitogestão no setor de solos contaminados, a nível transnacional.