Escola Superior de Biotecnologia apresenta resultados de estudo sobre impacto do vinho na pandemia

Thursday, April 29, 2021 - 17:34

Os padrões de compra e consumo de vinho dos consumidores portugueses durante a pandemia foi o tema do estudo realizado por investigadores do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia da Católica, em conjunto com a Academy of Wine Business Research. O estudo foi apresentado a 26 de abril, numa sessão online promovida no âmbito da Pós-Graduação em Enologia.

Durante a sessão, os investigadores responsáveis pelo estudo, Maria João Monteiro e Paulo Ramos, salientaram os principais resultados:

  • Antes da pandemia as compras ainda eram feitas maioritariamente e com mais regularidade em híper/supermercados e a compra em sites generalistas e específicos dos produtores eram muito escassas. Nas garrafeiras as compras ainda são feitas com reduzida periodicidade, quase um terço não adquire vinho nestes canais, nem em Duty-free (68% afirmaram que não compram nestes pontos de venda). 
  • No confinamento a maior parte dos consumidores (+50%) referiram que mantiveram o seu consumo de vinhos brancos e tintos, assim como de cerveja. Contudo há um decréscimo nas categorias rosé e espumante (bem como das outras bebidas alcoólicas). De referir que os valores de diminuição dos consumos são sempre mais acentuados do que os de aumento.
  • Metade da amostra manteve as suas compras de vinho em hiper/supermercado, mas houve uma diminuição de 25% e um aumento de apenas 14%. Cerca de um terço da amostra, ou não comprou vinho, ou reduziu mesmo as suas compras neste canal.
  • Quase dois terços não compraram “à porta da adega” e nos websites apenas terá havido um aumento residual de 2,3% nos sites das adegas e de apenas quase 6% nos websites generalistas, ao contrário do que seria expectável numa situação de confinamento e pandemia.
  • A mesma tendência de pouca alteração dos consumos verifica-se em relação às diferentes ocasiões de consumo, com a exceção da ocasião “relaxar em casa” que terá aumentado 14,6%.

Em termos de atitudes dos consumidores em relação ao vinho, o estudo demostrou:

  • Parecer existir uma boa recetividade em relação à experimentação de novos tipos de vinho e com uma reduzida perceção do risco em relação a novos vinhos.
  • As principais motivações de consumo apontadas pela amostra são a combinação com a comida, e fatores hedônicos, como o sabor, o prazer e o convívio e relaxamento.

O estudo "Consumo de Vinho Durante o Covid-19” foi desenvolvido com base num inquérito online, realizado em julho de 2020, e foi selecionada uma amostra com 425 pessoas, por quotas, com o objetivo de alcançar uma maior representatividade da população portuguesa. Existe o objetivo de repetir o estudo no verão de 2021, de forma a compreender a evolução do mercado.